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Campinas,  de 2018

 

“Luz na Caixa Escura” revela a sensibilidade

de fotógrafos cegos no CIS-Guanabara

 

          Desenvolver em pessoas com deficiência visual a capacidade e a sensibilidade de fotografar é uma experiência que vem ganhando corpo em diferentes partes do Brasil e do mundo. Em Campinas, o trabalho pioneiro nessa área foi desenvolvido no CIS-Guanabara, em parceria com o Centro Cultural Louis Braille, pelo jornalista e fotógrafo da Assessoria de Comunicação da Unicamp, Antonio Scarpinetti. O resultado dessa iniciativa pode ser visto a partir do próximo dia 12 de setembro às 14 horas quando será aberta a exposição fotográfica “Luz na Caixa Escura” com 18 imagens coloridas (30 cm x 45 cm) totalmente produzidas por deficientes visuais envolvidos no projeto. A mostra poderá ser vista gratuitamente até o dia 30 de setembro.

  Imagem da mostra (Foto: Gisele Cristine Souza Oliveira)


          As fotografias expostas no Hall de entrada do CIS-Guanabara são resultados de um primeiro trabalho ocorrido em março de 2017 e de outras quatro oficinas realizadas ao longo do primeiro semestre desse ano. Em média, as atividades contaram com a participação de 10 pessoas com diferentes graus de deficiência visual. Scarpinetti lembra que os alunos tiveram a oportunidade de manusear câmeras e, por meio do tato, identificar no corpo da máquina, lentes, obturador, fotômetro e, certamente, produzir fotos.

  Imagem da mostra (Foto: Rodrigo Dellacio)


          Todos os encontros realizados em 2018 propiciaram momentos de muito aprendizado para os alunos, mas uma oficina, de maneira especial, tornou-se uma atividade inusitada. Os participantes tiveram a missão de fotografar detalhes da banda de música da Polícia Federal, que ensaia semanalmente no CIS-Guanabara. “Nossa proposta com essa atividade foi promover a sensibilização por meio do som na construção de uma imagem  
fotográfica”, afirma Scarpinetti.
          A avaliação realizada numa roda de conversa após o exercício no ensaio dos músicos foi  de uma experiência que emocionou e serviu para se pensar o próprio ato de fotografar nessas condições. “A interação entre músicos e fotógrafos foi a melhor possível”, avalia o coordenador da oficina. Ele lembra que no início foi feita uma pequena apresentação, quando os músicos demonstraram seus instrumentos pelo som, individualmente. Depois os participantes se orientaram  pelo som e, com liberdade, começaram a fotografar. Além da prática em realizar fotos orientadas pela música, a experiência serviu também como exercício para melhorar o posicionamento e como segurar e direcionar a câmera em relação ao som que cada instrumento emitia no momento de fotografar. Os resultados foram muito diferentes considerando o tempo em que o aluno convive com a deficiência. Quanto maior o tempo, mais apurada a sensibilidade auditiva e, consequentemente, melhor o resultado da imagem produzida. Scarpinetti lembra que para alunos com deficiência visual, o som torna-se um guia, uma referência para a captura dessas imagens.
          Durante as oficinas, também foi realizada uma atividade com o jornalista Teco Barbero, fotógrafo cego que coordena o projeto “Olhar Sensível” em que ele procura transmitir técnicas fotográficas a outros deficientes visuais. Portador de deficiência visual congênita e lesão cerebral por conta de uma toxoplasmose desenvolvida pela mãe durante a gravidez, Teco afirma que encontrou na fotografia uma maneira de se conhecer melhor. “Quanto mais fotografo, mais me conheço. A relação da câmera com meu corpo aflora minha percepção e facilita meu diálogo com outras pessoas, pois quando produzo imagens, permito que as pessoas percebam como enxergo a vida”.  Ele é enfático quando explica aos demais participantes da oficina sua superação em relação à deficiência. “Todos aqui enxergamos, porque todos pensamos. Nossos olhos são apenas uma janela, o que define o que vamos ver é o cérebro e materializamos isso por meio da fotografia”, afirma. Scarpinetti explica que a experiência de Teco Barbero torna-se um estímulo para os alunos participantes da oficina desmitificando a ideia de que fotografia só pode ser feita por pessoas com visão normal. Participam dessa mostra os seguintes expositores: Angela Matiuzzo, Elizeu José Araújo Ribeiro, Gisele Cristina Souza Oliveira, Maria do Carmo Balduino, Rodrigo Delacio Coelho e Rosângela Aparecida da Silva.

Imagem da mostra (Foto: Ângela Matiuzzo)


          “Luz na Caixa Escura” tem a coordenação da agente cultural do CIS-Guanabara, Maria Cristina Amoroso Lima Leite de Barros. A exposição tem o apoio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC), da Unicamp. O CIS-Guanabara fica à rua Mário Siqueira, 829, Botafogo, Campinas (estacionamento gratuito no local). Na abertura, dia 12, está programado áudio descrição das fotos ao vivo com Bel Machado, audiodescritora e mestre em Multimeios pelo Instituto de Artes da Unicamp.
 

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