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Campinas,  de 2018

 

Ferroviário aposentado relata

memórias no CIS-Guanabara

 

Ivo Arias é o convidado “memória viva” em projeto

do Sesc que tem etapa no próximo domingo na Estação Guanabara

 

 

O ferroviário aposentado Ivo Arias, 76 anos, foi telegrafista, chefe de estação, controlador de circulação de trens e chefe do Departamento de Transporte em diferentes companhias. Vestiu o uniforme da Sorocabana, da Mogiana, da Fepasa, empresa onde se aposentou em 1987. Lembra com emoção dos áureos tempos da ferrovia no estado de São Paulo, quando as estações de Campinas integravam o roteiro que partia do interior e seguia para o porto de Santos. “As pessoas estavam sempre bem vestidas. Os homens de terno, gravata e chapéu, muitas mulheres usavam luvas. Os funcionários da estação deviam usar quepe, terno e os sapatos muito bem engraxados, caso contrário, tomavam um dia de suspensão”, fala em tom nostálgico. Arias, como era conhecido no meio ferroviário, é o convidado “memória viva” do CIS-Guanabara para o projeto “Campinando...”, iniciativa do Sesc-Campinas que ocorre no próximo domingo em diferentes locais históricos da cidade.

Trata-se de uma proposta de (re) conhecimento de Campinas, que no auge de seus 244 anos têm uma história permeada por transformações importantes para a cidade e o país. Passeios e vivências vêm ao encontro da memória, dos patrimônios materiais e imateriais, das áreas naturais e rurais e das personagens que Campinas abriga, como o ferroviário Ivo Arias, além da tecnologia, da ciência e das artes produzidas no município.

A apresentação será às 8h30 no hall de entrada da Estação Cultura. O roteiro terá início às 9h00, com acompanhamento de guia turístico credenciado pelo Ministério do Turismo. A visita guiada começa na Estação Cultura onde os participantes terão uma introdução à história da ferrovia e sua trajetória em Campinas. Na sequência, embarque em ônibus para passeio pelo Palácio da Mogiana. “Após almoço ocorre a visita guiada na antiga Estação Guanabara, onde o ferroviário Ivo Arias terá a oportunidade de relembrar momentos de seus quase 35 anos de profissional de diferentes companhias de trem”, diz a agente cultural e responsável pela etapa no CIS-Guanabara, Flávia Moraes Salles. Na sequência, visita à Estação Anhumas para embarque no trem da Maria Fumaça com destino à Estação de Tanquinho. O retorno está previsto para a Estação Cultura às 18h30.

Para alguns, viajar de trem é um resgate da memória, para outros é uma oportunidade de descobertas. Em Campinas a ferrovia surgiu nos tempos áureos do café e era o meio de transporte mais utilizado para escoar a produção, fator primordial para o crescimento e desenvolvimento da cidade. Durante a visita guiada no CIS-Guanabara, o ferroviário aposentado terá também a oportunidade de falar da decadência desse sistema de transporte e da importância da preservação dessa memória. 

O aposentado Ivo Arias é o “memória viva” que coordenará a visita guiada no CIS-Guanabara

 

Arias vivenciou um momento triste da memória ferroviária de São Paulo, uma espécie de crônica da morte anunciada quando, segundo ele, os horários dos trens que partiam do interior rumo à capital foram alterados com o objetivo velado de acabar com esse meio de transporte e dar início ao sucateamento que se estende até os dias atuais. Ele lembra que o trem procedente da Alta Sorocabana, com passageiros de cidades como Presidente Prudente, Assis e Ourinhos, chegavam a São Paulo às 6h00 da manhã e retornavam para o interior às 18h00. “Os passageiros eram comerciantes que enchiam suas sacolas com produtos das ruas 25 de Março e José Paulino, passavam o dia fazendo compras e voltavam no final da tarde para as cidades de origem. Esses trens viviam lotados.” Em meados dos anos 1970, no entanto, os horários mudaram. Os trens passaram a chegar à capital às 16h00 e retornavam às 8h00 do dia seguinte. “Com esse novo horário, os passageiros desapareceram. A viagem não se tornava mais viável para o comerciante. Os trens ficaram vazios e o sistema tornou-se deficitário. Moral da história: acabaram com a linha. Era o início do fim da derrocada da ferrovia paulista”, fala com propriedade.

Apesar do sucateamento desse meio de transporte, o ferroviário fala com orgulho de seu papel na preservação de composições e percursos que mantém viva a memória da ferrovia paulista, como no trecho que liga a estação Anhumas, em Campinas, até a cidade vizinha de Jaguariúna. “Participei desse processo de preservação no sentido de sensibilizar os gestores da Fepasa. Apontei as locomotivas e os vagões que deveriam ser preservados” Arias foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) e hoje atua como voluntário da entidade. “Sempre que possível vou aos finais de semana a Anhumas e Jaguariúna, só para ver se está tudo funcionando certinho”, fala com a naturalidade de quem viveu quase 35 anos entre trilhos, plataformas e composições ferroviárias.

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