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Campinas,  de 2017

 


A linha-tronco da Mogiana teve o primeiro trecho inaugurado em 1875, tendo chegado até o seu ponto final em 1886, na altura da estação de Entroncamento, que somente foi aberta ali em 1900. Inúmeras retificações foram feitas desde então, tornando o leito da linha atual diferente do original em praticamente toda a sua extensão. Em 1926, 1929, 1951, 1960, 1964, 1972, 1973 e 1979 foram feitas as modificações mais significativas, que tiraram velhas estações da linha e colocaram novas versões nos trechos retificados. A partir de 1971 a linha passou a ser parte da Fepasa. No final de 1997, os trens de passageiros deixaram de circular pela linha.

A ESTAÇÃO: Originalmente havia em Guanabara apenas uma casa para guarda e uma porteira: "Na passagem do bairro de Guanabara, kilometro 5, foi construida uma casa para morada do guarda, e assentadas as porteiras, que funccionam desde Agosto" (relat. Mogiana, 15/4/1888).

Conforme o relatório da Mogiana de 1891, "vai-se construir uma estação e armazém para as mercadorias de nossa linha para Campinas no local chamado Guanabara e também para as oficinas que vão ser construídas, além do benefício ao público". Inaugurada em 01/03/1893 (em algumas fontes da própria Mogiana, um pouco depois, em 04/08/1894), para ser a estação alternativa para desafogar a estação de partida original, que era junto com a estação da Cia. Paulista. Por alguns anos atendeu também os trens da Sorocabana que chegavam da Funilense (ramal de Pádua Salles) ou de Mairinque pelo ramal de Campinas, juntamente com a estação dessa ferrovia em Vila Bonfim. Como era mais próxima do centro da cidade, a estação de Guanabara era mais movimentada.

O pátio possuía 13 linhas, caracterizando o intenso movimento da estação. O prédio que hoje está lá não é o original, mas uma reforma dele, seguindo o mesmo estilo das estações construídas na variante Guanabara-Guedes, quando da primeira retificação da Mogiana. Mas está no mesmo local desde 1893. Na que foi sua terceira reforma, na verdade a construção do prédio atual, nos anos 1920, além de ter o prédio e a gare ampliados, também passou a abrigar alguns escritórios da administração da Mogiana. Guanabara foi desativada em 1974, com a passagem das funções da estação para a de Boa Vista, da antiga Paulista, nos subúrbios de Campinas.

Em 2006 continuava totalmente abandonada e era um antro de mendigos. Fica na praça Mauá, ao lado do Instituto Agronômico de Campinas. "Pinturas com motivos florais e geométricos da decoração art nouveau, típicas do final do século 19, foram localizadas em trabalho de prospecção nas paredes da estação (de) Guanabara, durante a preparação do prédio histórico para receber a Campinas Decor, a partir de abril. Seis salas do antigo núcleo da estação, (dos anos) 1890, têm as pinturas preservadas debaixo de várias camadas de tinta acrescentadas ao longo dos anos. A restauradora Eliana Ambrozio, professora da graduação em Conservação e Restauro da UFMG e doutoranda em História da Arte na Unicamp, concluiu anteontem o trabalho. Depois de terminada a (exposição) (...), as pinturas originais serão restauradas (...). O projeto (...) incluirá recursos para a recuperação das pinturas, a conclusão do armazém e da gare de metal da antiga Mogiana. A existência das pinturas murais era conhecida. Porém, segundo (Marcos) Tognon, a raridade é o fato de ainda existir registro na estação, o que não ocorre nas demais estações ferroviárias. As pinturas do século 19 encontradas na edificação são a têmpera (método no qual os pigmentos de terra são misturados a um colante) enquanto aquelas dos anos 1930 e 1940 são a óleo. Foram abertas 150 pequenas janelas nas paredes, retirando as várias camadas de tinta. Os motivos florais e geométricos que surgiram foram fixados - depois, receberão proteção e faceamento com papel que, com a ação do calor, aderem, protegendo o desenho original. Por cima dele, os arquitetos da Campinas Decor farão o revestimento que desejarem. Assim que terminar a exposição, o papel será descolado também pela ação do calor e a pintura original aparecerá sem danos. As obras já estão ocorrendo na fachada da estação (única área que será de fato restaurada para a exposição). Vários cuidados vêm sendo tomados para garantir a integridade da edificação, que ficou por 20 anos abandonada e sujeita à ação de vândalos. No laboratório do Instituto de Física da Unicamp foram realizados testes de argamassa da parede para analisar a composição. Isso servirá de base para que os arquitetos elaborem argamassas semelhantes à original, além de garantir compatibilidade dos materiais. Além de ocupar as instalações internas da Estação Guanabara, o Campinas Decor ocorrerá na área livre e contará com a atuação de uma equipe de paisagistas, cerca de 50 arquitetos, mil empresas e 800 profissionais no suporte. Depois de terminada a mostra e o prédio recuperado entregue à Unicamp, a estação vai abrigar oficinas, exposições (...) e uma cozinha-escola (...). Um restaurante ainda será instalado na gare metálica. (...) A restauração não será total. Ela abrangerá as fachadas externas, caixilhos, conservação nas paredes e na gare metálica, além de manutenção, incluindo a instalação da rede elétrica e hidráulica.A Unicamp tem a posse da Estação Guanabara desde 1990, com o direito de uso concedido pelo Estado, proprietário do imóvel por 30 anos. Desde que conseguiu a posse, a universidade nada fez para proteger a edificação, que foi sendo depredada e invadida. Só recentemente cercou a área, manteve vigilância para impedir novas ocupações e iniciou o restauro do antigo armazém do café. Quando assumiu a área da Guanabara, a Unicamp encomendou à arquiteta Lina Bo Bardi um projeto para o espaço. Na época, a estação não estava tombada e Lina (falecida em 1992) mais os arquitetos Marcelo Ferraz e Marcelo Susuki propuseram que a gare inglesa de 1915 e o armazém fossem preservados e o restante, incluindo a estação, fosse demolido. Na falta de recursos, o projeto foi engavetado. Há seis anos, a idéia foi retomada, mas o projeto precisou ser reformulado, deslocando as construções, porque o prédio agora é um bem tombado"

(texto extraído do site: http://www.estacoesferroviarias.com.br)

 


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