Inicial         |         Institucional         |         Equipe         |         Agendamento       |         Fale Conosco         |         Notícias


 

CIS-Guanabara recebe propostas de eventos para o segundo semestre

O CIS-Guanabara recebe, até o dia 31 de maio, as inscrições de propostas artísticas e culturais a serem realizadas no segundo semestre de 2018.

O CIS-Guanabara está localizado à rua Mario Siqueira, 829, no bairro Botafogo, próximo ao centro da cidade. Suas instalações disponibilizam para esta chamada espaços como a Gare, Galeria de Arte, Barracão do Café, salas multiuso, amplo e gratuito estacionamento.

 

 

As  inscrições devem ser feitas via Formulário de Agendamento. O formulário e instruções gerais de preenchimento estão disponíveis em nosso site:

http://www.cisguanabara.unicamp.br/280814.htm

 


Exposição Improvisos ganha espaço no CIS-Guanabara

 

Mostra pode ser vista até o dia 14 de junho. Entrada franca

 

Aquarelas sobre papel, colagens e óleo sobre tela são algumas das técnicas aplicadas pelos artistas Eni Ilis, Joao Bosco e Tiago Cesar na mostra Improvisos que será realizada na Galeria de Arte do CIS-Guanabara, no período de 17 de maio a 14 de junho. A vernissage, com apresentação musical de Aline Sampaio e Julio Oliveira, ocorre às 17h00 e a mostra poderá ser vista gratuitamente de segunda a sexta-feira sempre das 9h00 às 20h00 e aos sábados e domingos das 9h00 às 17h00.

Artista autodidata e atualmente envolvida com Arte Postal, Eni Ilis é formada em Filosofia. Com larga produção na técnica esferográfica, a artista apresenta pela primeira vez, em Improvisos, seus mais recentes trabalhos em aquarela sobre papel. 

Eni Ilis mostra seus mais recentes

trabalhos em aquarela sobre papel

 

João Bosco apresenta nessa mostra obras realizadas em técnica mista tendo a pintura e colagens sobre tela como seu principal suporte. Seus trabalhos são inspirados na Arte Povera, técnica em que o improviso e o inusitado se unem. A Arte Povera (em inglês, “poor art” ou “arte pobre”) surgiu na Itália nos anos 1960 e se caracteriza pelo uso de materiais simples, muitas vezes, descartáveis.

Artista plástico e arte-educador, João Bosco tem no currículo diversas exposições e premiações. Ilustrador da Folha de S. Paulo entre os anos 2007 e 2014, atuou como curador na Livraria Pontes e Estação Cultura de Campinas. Integra o catálogo digital Gravura Brasileira – Acervo Olho Latino 2014.

 

O artista João Bosco aplica

técnicas mistas em seus trabalhos

 

Tiago Cesar apresenta um trabalho despojado, de cores e traços vivos realizados com tinta óleo sobre tela. Retrata o espírito humano de maneiras variadas e inusitadas, como brincadeiras, danças, esportes (surf, futebol, bicicleta). Também passeia pelo abstrato e figuras autênticas e engraçadas como na série “Rostos Camuflados”, em que as faces são apresentadas de maneira desproporcional. 

 

Trabalho de Tiago Cesar retrata o espírito humano de maneira variada e inusitada  

 

O artista trabalha com pintura nas técnicas com tinta a óleo e acrílico desde 2011. Natural de Vitória, atualmente mora em Campinas, onde já expôs em diversos locais como Casa do Lago na Unicamp, Franz Café, Piola, Ateliê Lisa França e Estação de Cultura de Campinas. Em 2017 obteve primeiro lugar na categoria pintura no salão de Indaiatuba. Atualmente expõe na Feira de Artesanato do Centro de Convivência de Campinas, sempre aos sábados e domingos. A coordenação da exposição é da agente cultural do CIS-Guanabara, Maria Cristina Amoroso Lima Leite de Barros. A exposição Improvisos é uma realização da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) da Unicamp.

 

Serviço

Evento: Exposição  “Improvisos”

Data: 17 de maio a 14 de junho de 2018

Horário: Segunda á Sexta-feira: 9h às 20h | Sábados e Domingos: 9h às 17h

Abertura: 17 de maio, às 17h00

Local: CIS-Guanabara

Entrada: Gratuita

Endereço: R. Mário Siqueira, 829 - Botafogo, Campinas (estacionamento gratuito no local). 


Feijão é tema de oficina

no CIS-Guanabara

 

Evento ocorre no dia 25 de maio dentro do programa Sexta na Estação. Inscrições gratuitas

 

A nutricionista e professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, Julicristie Machado de Oliveira é a convidada do Projeto Sexta na Estação que ocorre no próximo dia 25, às 15 horas, no CIS-Guanabara. A docente da FCA ministrará durante a Feira Pé na Roça a oficina “Feijão na mesa: prato principal e sobremesa”.

Entre apresentações de receitas à base de feijão, a oficina propõe a discussão de tópicos como vegetarianismo e outras opções de alimentos saudáveis.  As reflexões trarão o enfoque da agroecologia como campo do conhecimento científico que busca construir um novo paradigma de desenvolvimento sustentável na agricultura e na sociedade. 

As inscrições deverão ser feitas com 15 minutos de antecedência ao início do evento e são limitadas a 25 vagas.
Escolas e entidades que queiram realizar a visita guiada em outras datas podem solicitar agendamento prévio para verificar disponibilidade.

 

Visita guiada na Feira Pé na Roça tem oficina sobre feijão

 

  • Serviço

Evento: Visita Guiada “Feijão na mesa”

Data: 25 de maio

Horário: 15h00

Inscrições: Gratuitas 15 minutos antes do evento

Local: CIS-Guanabara

Mais informações:  raunicamp@gmail.com

Endereço: R. Mário Siqueira, 829 - Botafogo, Campinas (estacionamento gratuito no local). 


Artesanato chileno é tema

de oficina no CIS-Guanabara

 

 Atividade em Arpillera será oferecida a partir de 8 de maio.

As inscrições são gratuitas

 

  O CIS-Guanabara promove nos próximos dias 08, 15 e 22 de maio, das 18h30 às 20h30, a Oficina de Arpillera. Ministrada pelos artesãos Victor Manuel Espronceda e Cristina Monaco, a técnica em Arpillera consiste em uma expressão artística popular de customização de cenas cotidianas feitas com pequenos pedaços de retalhos. O intuito desta atividade é ensinar e difundir uma técnica chilena tradicional e popular de artesanato, bem como uma oportunidade para apresentar aspectos culturais do Chile. A oficina tem a coordenação da produtora cultural do CIS-Guanabara Maria Aparecida Vaz Bueno. As inscrições para essa atividade estão abertas. 

Retalhos de tecidos expressam momentos vividos na ditadura Pinochet

 

A oficina será composta por apresentação e contextualização social e política da Arpillera; apresentação dos painéis de Victor Espronceda como forma ilustrativa do trabalho a ser desenvolvido pelo grupo e de aspectos culturais do Chile; apresentação dos processos técnicos e dicas para mesclar cores, formas e tecidos; incentivo à criação e definição de tema; atividades de apoio para criação e montagem de exposição final que estará aberta à visitação no período de 29 de maio a 8 de junho no CIS-Guanabara.

Uso das cores tenta minimizar período duro que marcou a vida dos chilenos

Victor lembra que a Arpillera foi bastante difundida no Chile na época da ditadura de Pinochet (1973-1990) quando mulheres bordadeiras retratavam e denunciavam em tecidos as injustiças e violência vivenciadas no cotidiano do governo militar. Em virtude da pobreza generalizada da época, a técnica se desenvolveu com simplicidade reaproveitando tecidos, sacos de cereais ou até mesmo roupas velhas para customizar cenas coloridas de um duro cotidiano.

Artesanato em Arpillera também retrata cenas bucólicas do povo andino

 

 Serviço

Evento: Oficina de Arpillera

Data: 08, 15 e 22 de maio

Horário: 18h30 às 20h30

Inscrições encerradas

Local: CIS-Guanabara

Endereço: R. Mário Siqueira, 829 - Botafogo, Campinas (estacionamento gratuito no local). Entrada ocorrerá pelo estacionamento do CIS-Guanabara.

 


África é tema de oficina

no CIS-Guanabara

 

Degustação de bolinhos e apresentação de capoeira integram a programação. Inscrições abertas

 

Numa proposta de ação multicultural unida à experiência culinária, o CIS-Guanabara oferece no próximo dia 18 de maio, das 14h00 às 17h00, Oficina Cultural África. A proposta é celebrar o continente africano, raiz étnica de uma boa parte do povo brasileiro. O evento contará com oficina/degustação de Bolinho de Estudante (comida muito popular na Bahia, de origem Iorubá) coordenada pelo chef Marcelo Reis, responsável pelo Espaço Saberes e Sabores. O evento, dentro de uma proposta de mostrar aspectos da história e da cultura afro-brasileira, contará também com apresentação do capoeirista Neto.  

O chef Marcelo Reis coordena a oficina de culinária no CIS-Guanabara

 

O Espaço Saberes e Sabores e o chef Marcelo Reis têm como principais referências na cultura afro-brasileira três  mulheres que se destacaram ao logo do tempo, tendo a culinária como sua principal fonte de sustento e resistência. Elas são Tia Ciata, Maria de São Pedro e Dinha do Acarajé, matriarcas do Saberes e Sabores. A história dessas mulheres e sua relação com a culinária permeiam as atividades programadas para o CIS-Guanabara.

Apresentação de capoeira na gare homenageia a cultura afro-brasileira

 

Serviço

Evento: Oficina Cultural África

Data: 18 de maio

Horário: 14h00

Inscrições encerradas

Número de vagas: 30

Local: CIS-Guanabara

Mais informações: cisguanabara.unicamp.br       

Endereço: R. Mário Siqueira, 829 - Botafogo, Campinas (estacionamento gratuito no local). 


 

CIS-Guanabara é palco de espetáculo musical

 

Com interpretações cênicas, grupo Coromim se apresenta dia 18 de maio. A entrada é franca

 

No próximo dia 18, às 20 horas, a gare do CIS-Guanabara será tomada por um espetáculo musical diferente. Momentos cênicos, brincadeiras e participação do público imprimem identidade ao Coromim na Estação, montagem com roteiro, direção e regência de Coré Valente.

Grupo Coromim durante apresentação do espetáculo Nóis na Chuva

Coromim na Estação dá continuidade à trilogia iniciada pelo grupo em 2003 com a montagem de Nóis no Trem, Nóis na Fita de 2008, e Nóis na Chuva de 2011. O repertório faz um mix de gêneros e ritmos, com arranjos de José Gramani, Marcelo Onofri, Marcos Leite, Coré Valente, entre outros. Nino Rota, Caetano Veloso, Roberto Carlos, Adoniran Barbosa, Beatles e Índios Kraôs são alguns dos cantores e bandas que serão apresentados no espetáculo do CIS-Guanabara. O Coromim incorpora elementos cênicos, de dança e instrumentais em suas apresentações. “É uma maneira de quebrar o gelo e deixar o espetáculo mais dinâmico e divertido, e também integrar a plateia na nossa brincadeira”, diz Coré.

O grupo foi criado em 1997 com o objetivo de integrar pais, professores e amigos da Escola Curumim, de Campinas. Segundo o regente, o principal objetivo do coro é proporcionar alegria, tanto para quem canta quanto para quem assiste. “O grupo tem uma ligação forte, e a apresentação mostra essa interação musical-afetiva”, explica. Atualmente com 12 integrantes (Alice, Delma, Doc Miranda, Edinelson, Estela, Fernando, Gláucia, Mila, Nilson, Raquel, Silas e Stela), Coromim tem em seu currículo apresentações no Sesc, Tao, Espaço Tugudum, Castro Mendes e Centro de Convivencia. Além de Campinas, já se apresentou em Botucatu, Atibaia e Paraty, durante a FLIP, Festa Literária Internacional que anualmente é realizada na cidade carioca. A apresentação na Estação Guanabara tem a coordenação da agente cultural do CIS, Flávia Moraes Salles.

 

Coré Valente durante apresentação de espetáculo na Casa do Lago, na Unicamp

 

Serviço

Evento: Espetáculo musical Coromim na Estação

Data: 18 de maio de 2018

Horário: 20 horas

Local: CIS-Guanabara

Entrada: Gratuita

Endereço: R. Mário Siqueira, 829 - Botafogo, Campinas (estacionamento gratuito no local).

Realização: Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Unicamp (PROEC)

 


 

CIS-Guanabara promove Oficina de Máscaras

Atividade gratuita será realizada nos dias 15 e 16 de maio. Inscrições abertas

 

 O CIS-Guanabara promove nos dias 15 e 16 de maio a Oficina de Máscaras. Ministrada pela artista plástica Neiva Gonçalves, a oficina, dentre outros objetivos, pretende desmistificar a ideia de que máscara é um adereço exclusivo do Carnaval. “A máscara, independentemente do propósito de sua confecção, permite, muitas vezes, revelar nossos sentimentos ocultos”, afirma Neiva. As inscrições, gratuitas, serão abertas no próximo dia 12 de abril.

Oficina desmistifica a ideia de que máscara é um adereço apenas de Carnaval

Nessa oficina, Neiva apresenta um pouco do conhecimento assimilado em cursos e vivências ocorridos em Firenze entre os anos de 1996 e 2006. Para ela, a máscara apresenta um simbolismo forte no ato da confecção. “Ao modelar, a pessoa libera o seu inconsciente. É um processo de autoconhecimento. A máscara sempre esteve ligada a uma necessidade de força vital e comunitária. É na busca da expressão dos anseios do indivíduo e no questionamento de sua forma que surgem projetos”.

 

A máscara como forma de apresentação do indivíduo, uma maneira de socialização humana

A artista plástica reitera que são produções que vão muito além das fantasias de Carnaval. “Do sagrado ao profano. Dos rituais das antigas civilizações à psicologia analítica de Jung. Como elemento cênico partiu da Grécia, com os espetáculos teatrais. No final da idade média, com o Renascimento italiano, surgem os bailes de máscaras”. Ela lembra que no final do século XIX as máscaras chegam às festas populares, como forma de apresentação do indivíduo, uma maneira de socialização humana.” A oficina tem a coordenação da produtora cultural do CIS-Guanabara Elizabeth Aparecida Piva da Silva Oliveira. 

Ao modelar a máscara, a pessoa libera o seu inconsciente, processo de autoconhecimento

 

No final da idade média, com o Renascimento italiano, surgem os bailes de máscaras

 

Serviço

Evento: Oficina de Máscaras

Data: 15 e 16 de maio

Horário: 14h00 às 17h00

Inscrições encerradas

Local: CIS-Guanabara

Endereço: R. Mário Siqueira, 829 - Botafogo, Campinas (estacionamento gratuito no local). 

 


 

Fotografias mostram rituais culturais

do México, Índia e Peru

 

Isabela Senatore e João Chimentão expõem

na galeria do CIS-Guanabara até 11 de maio

 

  

Os lugares são distantes e distintos. Os objetivos, semelhantes. Enquanto Isabela Senatore percorria Oaxaca e Himalaia, registrando imagens, João Chimentão capturava suas impressões e materializava seu olhar nos Andes. O resultado do material fotográfico produzido pelos artistas visuais pode ser conferido na exposição fotográfica “O Outro Lado” que será realizada na Galeria do CIS-Guanabara no período de 20 de abril a 11 de maio, sempre das 9h00 às 17h00. A abertura será dia 19 de abril, das 17h00 às 21h00. A entrada é franca.

Foto de Isabela Senatore que integra a mostra “O Outro Lado”

Segundo o curador da exposição, Andrés Hernández, as 25 imagens com diferentes dimensões em cor e preto e branco resultantes dos registros fotográficos nos Andes, por João Chimentão, assim como na Montanha Sagrada em Oaxaca e no Himalaia por Isabela Senatore, se homogeneizam ao abordar práticas ritualístico-culturais no Peru, no México e no nordeste da Índia. “Aparecem assim, fragmentos de memórias que mesmo decantados nos recortes dos registros fotográficos sugerem a associação e a assimilação de conexões culturais a partir das cerimônias e elementos arquitetônicos em questão e se projetam como peças intangíveis pela distância geográfica e pela disparidade espacial”, observa Hernández, doutorando pelo Instituto de Artes da Unicamp e que em seu currículo, dentre outras realizações, foi coordenador de exposições na Bienal de Havana e coordenador-executivo do Departamento de Curadoria do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2005-2010).

Isabela Senatore formou-se em Fotografia em 2001 no The Art Institute of Boston at Lesley University. Em 2000 foi selecionada para o programa de estágio na Magnum Photos, em Nova York. De 2001 a 2017 desenvolveu trabalhos documentais no Brasil, Peru, México e Índia. João Chimentão é publicitário. Por sete anos trabalhou em estúdio de fotografia e laboratório fotográfico. Atuou também em fotografia de moda no StudioUno em Barcelona, Espanha. Assina duas exposições: “O Homem, o Barco e a Bicicleta" e "Atrás de Um Retrato". Em 2010 trabalhou com fotografia documental sobre a "Festa de São Sebastião e São Benedito", no Espírito Santo. A coordenação da exposição é da produtora cultural do CIS-Guanabara, Maria Cristina Amoroso Lima Leite de Barros.

 Registro de João Chimentão feito nos Andes para a mostra fotográfica

Serviço

Evento: Exposição fotográfica  “O Outro Lado”

Data: 20 de abril a 11 de maio de 2018

Horário: Segunda á Sexta-feira: 9h às 20h | Sábado e Domingo: 9h às 17h

Abertura: 19 de abril, das 17h00 às 21h00

Local: CIS-Guanabara

Entrada: Gratuita

Endereço: R. Mário Siqueira, 829 - Botafogo, Campinas (estacionamento gratuito no local).

 

 


Brasil indígena é tema de curso de

extensão no CIS-Guanabara

Atividade gratuita começa no dia 5 de maio

 ‘Pedagogias indígenas e ações educativas’, ‘histórias e mitologias ancestrais’ e ‘projetos políticos, educacionais e territoriais em terras Indígenas’ são alguns dos tópicos que serão abordados no curso de extensão "Yané Resewara: o Brasil é Indígena!" que será realizado pela Escola de Extensão da Unicamp no CIS-Guanabara. As aulas começam no próximo dia 5 de maio, das 9h00 às 13h00 e se estendem até 21 de julho. O curso é gratuito e tem inscrições abertas a partir de 16 de abril.

Segundo a pedagoga e cientista social, Ciça Veiga, uma das docentes desse curso de extensão, o trabalho tem como principal motivação “a desconstrução da visão estereotipada do índio brasileiro, a partir de um olhar crítico da história e presença indígena no Brasil”, afirma. Mestre em Línguas Indígenas e doutoranda em Antropologia Social na Unicamp, Ciça ressalta que os encontros possibilitarão reflexões feitas pelos próprios indígenas, em uma proposta de diálogos interculturais.

Curso de extensão no CIS-Guanabara aborda temáticas relacionadas ao Brasil indígena

 

Participam do corpo docente, além de Ciça, a professora Maria Bidoca, alfabetizadora aposentada e artista e Miguel Carlos Piloto, professor da língua nheengatu, história e política indígena na escola Kariamã. Ambos integram a etnia Baniwa do Alto Rio Negro (Amazonas). A organização é da professora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH-Unicamp), Artionka Capiberibe.

Os encontros terão a duração de quatro horas ao longo de 12 sábados e contarão com debates e atividades didáticas de sensibilização e interação com temáticas relacionadas ao índio. “Pretendemos despertar novas visões a respeito da presença e de quem são os indígenas no Brasil, aprofundando o conhecimento sobre as nossas origens culturais e históricas”, afirma Ciça. Lembra ainda que dentre as atividades está prevista uma visita à aldeia Teokoa Pyau, localizada no Jaraguá (SP). O curso tem apoio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC-Unicamp).  

 

Serviço

Evento: Curso de Extensão Yané Resewara: o Brasil é Indígena!

Datas: 05, 12, 19 e 26 de maio; 02, 09, 16, 23 e 30 de junho; 7, 14 e 21 de julho

Horário: 09h00 às 13h00

Inscrições: Gratuitas aqui: https://goo.gl/tYfHky 

Número de vagas: 60

Local: CIS-Guanabara

Endereço: R. Mário Siqueira, 829 - Botafogo, Campinas (estacionamento gratuito no local). 

Mais informações: https://www.facebook.com/yaneresewara/

 


 

Reminiscências

Vivência com alunos do UniversIDADE remexe

baú de fotografias no CIS-Guanabara

| Texto: AMARILDO CARNICEL | PROEC | ESPECIAL PARA O JU     | Fotos: DIVULÇÃO | REPRODUÇÃO

 

O historiador por vocação, Wagner Paulo dos Santos: palestra focalizou

 o antagonismo das praças campineiras Largo do Rosário e Largo do Pará

Quando a comerciária aposentada Eleni Zilda Giraud Galani viu a foto da extinta doceria Términus, de Campinas, projetada na parede da sala multiuso 1 do CIS-Guanabara, não se conteve. Em tom claramente nostálgico, falou dos tempos em que saía da também extinta Lojas Sears, no centro da cidade, e se dirigia para Términus onde saboreava um cremoso chocolate quente. “Eles nos serviam em bules de prata e em xícaras de porcelana fina. E os bolos então? Um melhor que outro”. Foi nesse cenário de boas lembranças que transcorreu a vivência “Re-tratos, a Cidade que Mora em Mim – Memória, História e Significados”, ministrada dentro do Programa UniversIDADE, pelo engenheiro civil aposentado e estudioso da história de Campinas, Wagner Paulo dos Santos e pela psicóloga e produtora cultural do CIS-Guanabara, Flávia Moraes Salles.

“A foto me fez lembrar o gosto daquele delicioso chocolate engrossado com maisena nas tardes de frio. Senti o cheiro, o sabor dos doces e, o melhor, a lembrança da liberdade de falar de coisas que não podíamos tocar no ambiente de trabalho”, recorda a aluna que no próximo dia 22 de maio completa 70 anos.

Sobrado do Villaça ou Sobrado Maldito (à direita): palco de mortes misteriosas

Dona Eleni e os outros 14 alunos do programa UniversIDADE que participaram dessa vivência exibiram fotos antigas e alguns, de modo compulsivo, desataram a falar sobre recordações a partir daquilo que estava restrito ao quadrilátero da imagem. Um recorte que, na verdade, permitia passar um filme na cabeça de cada depoente. A partir da foto de uma rua, cenário de brincadeiras de infância, surgia a lembrança das músicas tocadas na vitrola na casa do vizinho, das prosas no ponto de ônibus e das voltas de bicicleta ao redor do quarteirão. Cheiro de mato, de frutas, ruas tranquilas e quintais bucólicos compunham as temáticas fotográficas trazidas pelos alunos que cuidadosamente, como guardiões da memória, selecionaram especialmente para aquele momento.

O professor de matemática aposentado, Sebastião Antônio José Filho, 74 anos, sentiu um nó na garganta quando se lembrou das pescarias nos rios Turvo e Grande na região de Palestina, cidade onde nasceu. Embora vivesse na área urbana, era na zona rural que levantava um dinheirinho pra satisfazer seu gosto pessoal. “Minha primeira bicicleta consegui com trabalho nas lavouras de algodão”, lembra orgulhoso. No entanto, as memórias do professor Sebastião não se limitaram ao período de infância. Fez questão de falar do tempo em que fazia faculdade em Rio Claro, por volta de 1965. “Tem melhor época na vida de um jovem?”, questiona, embora tenha a resposta com muita clareza. “Lembro-me com muita saudade da boate Panqueca, perto da faculdade. Tudo acontecia lá. Muitas festas, namoricos... era o ponto de encontro dos alunos de todos os cursos”, afirma.

A Doceria Términus, por volta de 1975:

 chocolate quente em xícaras de porcelana

 

“Os comentários de dona Eleni, um momento vivido em meados dos anos 70 do século passado, do professor Sebastião sobre infância e juventude e dos demais alunos que fizeram uma viagem ao passado vão ao encontro da proposta dessa vivência, ou seja, despertar a memória que está dentro da gente. São fotos impregnadas de significado afetivo que acordam o valor pessoal adormecido”, observa a psicóloga Flávia. Segundo ela, a proposta dessa vivência foi identificar, junto aos participantes, fragmentos da cidade que representam esses alunos. “Qual é o canto da minha cidade em que eu mais me identifico? Qual é o cenário de minha infância ou juventude que mais me representa?”. Com questões dessa natureza trazidas pelos alunos, a psicóloga promoveu um exercício de identificação do significado desse recorte afetivo para essas pessoas. A partir do uso de fotografias antigas, seja do álbum de família de cada um, seja do acervo escolhido pela coordenação do trabalho, os alunos claramente emocionados passearam pela imagem, relembraram e ressignificaram histórias, sempre com os olhos no passado e a cabeça no presente.  

Dona Eleni Galani, aluna do UniversIDADE:

saudades de bons momentos na Doceria Términus

História por vocação

Documento, registro, história, memória... São muitas as nomenclaturas aplicadas à fotografia como instrumento de lembrança e registro de um recorte no tempo e no espaço. Desde a sua invenção, em torno de 1830, a fotografia vem sendo utilizada e superficialmente inserida na cultura popular como atestado de um fato, prova incontestável da verdade. Para o historiador, Boris Kossoy, muito longe de ser verdade absoluta, a fotografia constitui-se uma representação da realidade, seja do ponto de vista de quem a produz, seja da perspectiva de quem é fotografado. Independentemente das diferentes linhas de pensamento sobre a finalidade da imagem fixa, o que não se discute é que as fotografias apresentadas na vivência “Re-tratos” contaram boas histórias. Os registros fotográficos permitiram o descongelamento de momentos que começaram a aflorar durante a narração da imagem.

Essa foi também a linha de trabalho do engenheiro civil de formação e historiador por vocação Wagner Paulo dos Santos que durante os dois encontros realizados nos dias 6 e 13 de abril no CIS-Guanabara assumiu parte da vivência “Re-tratos”. No início, num exercício em que estimulava os alunos a passearem pelas fotos e identificarem os locais, o engenheiro civil focalizou o antagonismo das praças Largo do Rosário e Largo do Pará. “A primeira era a área nobre, localizada no Centro da cidade, próxima ao teatro, igreja, cafés e livrarias, local onde circulava a nobreza campineira. A segunda, embora estivesse a menos de um quilômetro do local, era considerada arrabalde”. Tanto é que, segundo ele, os elementos ali instalados eram refugos de outros pontos das cidades. O coreto e o chafariz, por exemplo, foram, inicialmente, construídos em outras praças. “É por isso que eu sempre que me remeto ao Largo do Pará, digo largo da sucata. O que fazer com as sobras das reformas de outras praças? O que fazer com chafariz retirado do Largo do Rosário? E com o coreto que estava na Praça Bento Quirino? Manda pro Largo do Pará”, ilustra Wagner.

Seu Sebastião Antônio José Filho: histórias que remetem

 ao período de infância em Palestina e de juventude em Rio Claro

 

Os alunos presentes não imaginavam que a Rua Marechal Deodoro um dia fora conhecida como Rua do Picador. A razão, segundo Wagner, é simples. Morava naquela rua o senhor Salvador Cerqueira, um adestrador de cavalos que tinha em sua casa um picadeiro. Os animais chucros eram entregues para a realização do trabalho, que se tornou atração. “De maneira esperta, ele começou a fazer o trabalho aos domingos diante de uma plateia que pagava ingresso. Daí o nome, Rua do Picador”, afirma. Os alunos também não sabiam que a Avenida Senador Saraiva tem nos registros populares o nome de Rua Alegre. “É que ali estavam inicialmente instaladas as casas de prostituição da cidade. A palavra alegre era uma alusão às festas que ocorriam com frequência no local”, afirma. Ainda na linha das denominações populares, Wagner se lembra do Sobrado do Villaça ou ‘sobrado maldito’, edificação construída próxima ao Teatro São Carlos, esquina das Ruas José Paulino com Treze de Maio, no centro da cidade. O local foi cenário de mortes misteriosas. Além do proprietário que foi assassinado no local, há relatos de criadas negras que teriam, ‘acidentalmente’, caído no poço. “Após pesquisas feitas em livros de historiadores de Campinas, verifiquei que algumas negras, grávidas dos patrões, foram atiradas no poço”, afirma o engenheiro, justificando que não há na historiografia campineira registro do nome do primeiro dono do sobrado.  

A psicóloga e agente cultural do CIS-Guanabara,

Flávia Moraes Salles: fotografias que afloram a memória adormecida

 

Wagner é autor dos livros Escola Normal, a Andorinha do Amor (2003), lançado em comemoração ao centenário da Escola Normal de Campinas, e Minha Admirável Comunista (2001) em homenagem à primeira vereadora de Campinas, Vera Pinto Telles, em 1948. Seu interesse pela história de Campinas surgiu de maneira muito natural, quando buscava informações sobre suas origens. Neto de portugueses, o engenheiro queria saber quando e como chegaram seus avós ao Brasil. Da história pessoal para a história de Campinas, foi um passo. Interessou-se pelos nomes que davam nomes às ruas, às praças e viu no acervo fotográfico do Centro de Ciências, Letras e Artes uma fonte inesgotável de informações sobre a Campinas do início do século passado. “Meu happy hour durante anos foi remexendo arquivos do Centro de Ciências”, lembra com orgulho.

Aluno de instituições públicas do ensino fundamental até a graduação em Engenharia Civil feita na Unicamp, Wagner vê nessas palestras uma forma de retribuir à sociedade um pouco desse conhecimento acumulado. “Toda a minha educação foi realizada em escolas estaduais, custeadas com dinheiro do contribuinte. Chegou a hora de eu devolver um pouco daquilo que recebi”, afirma.

.

 

Aspectos da oficina oferecida a alunos do Programa UniversIDADE no CIS-Guanabara

Dona Eleni, aluna do Projeto UniversIDADE desde o início do ano, não poupou elogios ao programa. “Vale muito a pena pegar três ônibus para participar dessas vivências. A gente aprende muito e se ocupa com atividades que dão prazer.” O professor Sebastião, também aluno desde o início do ano, resumiu sua satisfação com uma frase. “A vivência de hoje, para mim, foi um renascimento”, afirmou. “Esse tipo de depoimento confirma os ‘re-tratos’ que todos podemos fazer com os monumentos esquecidos que guardamos dentro de nós”, conclui a psicóloga Flávia. O Programa UniversIDADE, da Unicamp, visa proporcionar às pessoas das comunidades interna e externa, acima de 50 anos, condições de mantê-las ativas tanto física quanto mentalmente, além de estimular e capacitar seus integrantes por meio de atividades interdisciplinares que buscam fomentar os diálogos relacionados à longevidade e qualidade de vida.

 

 


 

Mercado Mundo Mix

aprova espaço do CIS-Guanabara

 

Feira pautada na economia criativa

reuniu cerca de 6 mil pessoas no final de semana

  

O CIS-Guanabara sediou nos dias 7 e 8 de abril o Mercado Mundo Mix (MMM), evento gratuito e aberto ao público. Cerca de seis mil pessoas circularam pelas instalações do CIS numa feira com expositores de moda, artesanato, food-trucks, sempre ao som de boa música. Durante o evento ocorreu o I Encontro de Economia Criativa do Mercado Mundo Mix que contou com palestras e workshops sobre empreendedorismo, novos negócios e formas de sustentabilidade e economia circular. O reitor da Unicamp Marcelo Knobel e o secretário municipal de Cultura, Ney Carrasco, também prestigiaram o evento. "Iniciativa como essa ratifica o propósito da Unicamp em busca de uma integração maior com a sociedade”, afirmou o reitor.

Para o diretor do CIS-Guanabara, Marcelo Rocco, o evento vem ao encontro da proposta do órgão. “Reunir milhares de pessoas numa iniciativa de economia criativa atende as expectativas de um centro cultural como o CIS. Propostas que dialogam com cultura e economia criativa se integram perfeitamente nos eixos que estruturam a existência do centro.” Rocco lembra que um evento grandioso como o que caracterizou essa edição do Mercado Mundo Mix é um desafio e os riscos sempre estarão presentes. “Para ampliar nossa presença na sociedade, é preciso correr riscos. Apesar do grande número de pessoas, não houve absolutamente nada que desabonasse a iniciativa. Se quisermos dar projeção ao CIS-Guanabara, precisamos arregaçar as mangas e fazer acontecer. O saldo foi muito positivo, tanto é que novas edições do MMM estão programadas no decorrer desse ano”.

 

Feira realizada no CIS-Guanabara fortalece a proposta de economia criativa –

Foto: Divulgação: Mercado Mundo Mix

 

Segundo o idealizador e coordenador do Mercado Mundo Mix, Beto Lago, essa edição atendeu plenamente as expectativas da organização. “O retorno que obtive dos expositores foi o melhor possível. Todos elogiaram as instalações do CIS-Guanabara e, pelas experiências anteriores, afirmaram que esse é o melhor lugar de Campinas para a realização de uma feira dessa magnitude. Tanto é que duas novas edições já estão previstas, sendo uma em agosto e outra e novembro. Vou além: não vamos nos limitar a realizar edições do MMM no CIS-Guanabara. Trata-se de um espaço nobre, muito bem localizado e que merece sediar outras iniciativas. Já estamos em negociação com a Universidade para a realização de novos eventos”, afirma Lago.  


 

Fotógrafos cegos revelam a Estação Guanabara

 

Exposição fotográfica exibirá resultados da Oficina oferecida no CIS

 

O fotógrafo e jornalista Antonio Scarpinetti não se lembra exatamente de quando assistiu ao filme Luz Escura: a Arte dos Fotógrafos Cegos (Dark Light: The Art Of Blind Photographers,2009), documentário que mostra a experiência de Peter Eckert, Henry Butler e Bruce Hall, três fotógrafos cegos que à sua maneira materializam por meio das fotografias impressas no papel as imagens mentais que eles elaboram, seja pelo som, pela vibração ou pela descrição das cenas confiando no relato de terceiros. No entanto, a partir daquele momento, Scarpinetti percebeu que poderia, de alguma maneira, oferecer a alguns deficientes visuais a oportunidade de despertar e materializar por meio de uma câmera fotográfica o modo como percebem fragmentos do mundo.

Para colocar em prática esse projeto, Scarpinetti oferece no CIS-Guanabara, a partir do próximo dia 28 de março (quarta-feira), das 14h00 às 16h30, a Oficina para Fotógrafos Cegos, trabalho que será desenvolvido em parceria com Centro Cultural Louis Braille de Campinas. Cerca de 10 pessoas com diferentes graus de deficiência visual terão a oportunidade de manusear câmeras e por meio do tato identificar no corpo da máquina lentes, obturador, fotômetro e, certamente, produzir fotos.

Scarpinetti, fotógrafo profissional que atua na Secretaria de Comunicação da Unicamp (Secom), durante quatro encontros mensais vai transmitir noções teóricas, falar dos fotógrafos protagonistas de Luz Escura e realizar vários exercícios práticos que culminarão no registro da Estação Guanabara, a partir de postos de observação previamente definidos. O relógio, o sino, os bancos de ferro e madeira e a fachada da gare são alguns detalhes que serão retratados e apresentados numa exposição fotográfica ao final das oficinas. “Espero oferecer algo diferente a essas pessoas e, quem sabe, entusiasmá-las, a exemplo dos fotógrafos do documentário, a darem continuidade aos registros elaborados mentalmente, de uma maneira bastante distinta daqueles produzidos pelas pessoas com visão normal”, afirma Scarpinetti.

A oficina será oferecida nos meses de março, abril, maio e junho. Segundo a produtora cultural do CIS e responsável pela atividade, Maria Cristina Amoroso Lima Leite de Barros, o trabalho é um desdobramento de oficina semelhante realizada em setembro de 2017 no CIS-Guanabara.

 

Scarpinetti orienta aluna com deficiência visual a manusear equipamento fotográfico

 


 

Estão abertas as inscrições para envio de propostas para 2018!!

           Fique atento aos prazos de inscrições:

 

  • Para realização de eventos no período de JANEIRO a FEVEREIRO de 2018 – Prazo de inscrição: até  20 de dezembro de 2017

  • Para realização de eventos de MARÇO a JUNHO – Prazo de Inscriçãoaté  31 de janeiro  de 2018

  • Para realização de eventos de JULHO a DEZEMBRO  – Prazo de Inscrição: até 31 de maio de 2018

 

 As  inscrições  devem  ser  feitas  via  Formulário de  Agendamento.

O formulário e instruções gerais de preenchimento estão disponíveis em nosso site:

http://www.cisguanabara.unicamp.br/280814.htm

 


CIS-Guanabara inova com programa “Virando Mestre” em

OSC de Campinas

 

Iniciativa insere alunos de graduação da Unicamp em atividade educativa.

Oficinas de RAP e de malabares são pautadas na educação não-formal

  

TEXTO: AMARILDO CARNICEL

FOTOS: ANTONINHO PERRI, ANTONIO SCARPINETTI e SERGIO SOUZA SILVA

 

          No alto da escadaria da Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, na Vila Castelo Branco, em Campinas, o aluno de Geografia da Unicamp, Guilherme Veronezzi de Souza, observa os garotos Kauã e Adeir. Em meio a passos elementares do ídolo Michael Jackson e trocas de bolinhas e argolas eles arriscam movimentos primários durante a oficina de malabares. Enquanto isso, na oficina de RAP, numa sala do Projeto Gente Nova (Progen), a garota Mariana tem o olhar fixo no flip chart em que o aluno de Ciências Sociais da Unicamp, Fábio Danillo Nascimento dos Santos, acompanhado ao violão pelo seu colega de curso, Djakson Cleber Gonçalves Filho, passa noções de rima e métrica cujo conteúdo fala da realidade desses garotos. É nesse ambiente que o CIS-Guanabara desenvolve, semanalmente no Progen, o programa “Virando Mestre”, iniciativa que permite a aluno de graduação da Unicamp, por meio de oficinas, ter a oportunidade de iniciar atividades com caráter didático.


O estudante Guilherme Veronezzi em atividade na oficina de malabares:

socialização que reflete em melhor desenvolvimento da criança
 

          O sociólogo e diretor do CIS-Guanabara, Marcelo Rocco, explica que o programa “Virando Mestre” consiste em estimular o estudante-bolsista a converter parte do conhecimento obtido em sala de aula em oficinas, produzindo assim a experimentação prática desse saber: “A presença do estudante é imprescindível na realização dos projetos desenvolvidos do centro cultural, pois esses jovens, sedentos pela experimentação, têm a possibilidade de pôr em prática parte do saber assimilado nas salas de aula. Essa liberdade intelectual é o estímulo necessário para a criação, e é no cotidiano acadêmico, no exercício do fazer e refletir científico que ele encontra as ferramentas necessárias para atuar em nossos projetos”, afirma. 
          O programa desenvolvido no âmbito do Progen ocorre no campo da educação não-formal, área do conhecimento que se caracteriza por atividades que ocorrem paralelamente à escola e fora do horário escolar. Segundo Izabel Cristina Santos Almeida, coordenadora geral do Progen, os espaços de educação não-formal que dão um diferencial à OSC (Organização da Sociedade Civil) seguem alguns princípios básicos. “Entre eles estão as práticas para a socialização, o desenvolvimento social e a quebra de formalidades e hierarquias. “Somos pautados pelo estímulo à participação coletiva de forma descentralizada”, afirma a diretora da OSC que responde por quatro unidades distribuídas em Campinas e que atendem diretamente 2.581 educandos, adultos e idosos e, indiretamente, cerca de 10 mil pessoas,  entre pais e responsáveis pelas crianças e jovens.  
          As atividades das oficinas de RAP e de malabares ocorrem em formato de roda. Diferentemente daquele modelo tradicional visto de sala de aula, normalmente marcado pela falta de liberdade, repreensão, cobrança e avaliação, em um ambiente hierarquizado onde há uma mesa que separa o professor dos alunos, no modelo de educação não-formal, oficineiros e educandos se organizam em círculos. “Essa maneira de trabalhar elimina as barreiras, quebra hierarquias e, consequentemente, facilita o diálogo”, esclarece Izabel com a segurança de quem adota esse modelo desde a sua chegada ao Progen, há 27 anos.


Marcelo Rocco, diretor do CIS-Guanabara: programa “Virando Mestre”

proporciona aos bolsistas liberdade intelectual como estímulo necessário para a criação
 

          Para a pedagoga do Progen, Silvânia Fernandes do Nascimento, profissional com 17 anos de experiência em educação não-formal, esse encontro entre o CIS-Guanabara e a OSC é a ponte que interliga a academia, espaço caracterizado pela teoria e reflexão, e o Progen, recinto que possibilita testar e colocar em prática esse conhecimento. “O trabalho feito pelos alunos da Unicamp nessas oficinas é importante porque, por meio da prática, eles se deparam com a realidade. Na academia a gente vê muita teoria, mas como podemos transformar esse conteúdo em ação? Os alunos da Universidade têm a oportunidade de ver de perto o jovem da periferia, o jovem excluído”. Silvânia acrescenta que “a maioria dos alunos da Unicamp não conhece essa grave realidade socioeconômica dos jovens da Vila Castelo Branco”. Ela salienta a importância desse programa para estreitar relações: “A experiência que eles ganham trabalhando na periferia é uma ação efetiva da Unicamp para diminuir esse fosso. Vou além: a universidade deveria estimular mais alunos, de outras áreas, a fazerem o mesmo.” Nessa linha de pensamento, Rocco ressalta que os resultados positivos dessa relação Universidade-OSC faz do programa um sucesso, pois atende a sociedade, que tem desse modo uma devolutiva dos seus impostos convertidos em serviços dessa natureza e responde também ao ideário do CIS que necessita ampliar suas atividades nos eixos que representam as ações extensionistas da Unicamp. “Também responde a uma agenda social e viabiliza uma devolutiva à sociedade com serviços dessa natureza, além de ampliar seu campo de ação na chamada área cultural, missão do CIS-Guanabara”, ressalta Rocco. Para a artista-plástica Elizabeth Piva, agente cultural do CIS e coordenadora do projeto “Incluir com Arte”, o objetivo é fortalecer ainda mais a participação dos bolsistas SAE nas ações previstas:  “estamos estruturados para orientar os alunos na concepção das oficinas que pretendem realizar. Orientamos estudantes na realização de atividades de artes visuais, como fotografia e desenho artístico, além disso, eles também apoiam na execução das oficinas aplicadas por nós”.


A pedagoga do Progen, Silvânia Nascimento: a experiência vivida pelos universitários

é uma ação efetiva da Unicamp para se aproximar da realidade da periferia
 

          É com essa orientação prévia que Guilherme, Djakson, Fábio realizam as oficinas de malabares e de RAP. Eles procuram mostrar aos educandos que a Unicamp não é um reduto em que jamais terão acesso. Ao contrário, os três tiveram experiências em escolas públicas, local de aprendizado de todas as crianças do Progen, prova viva de que nada é inatingível. Eles consideram esse momento na OSC uma oportunidade ímpar para testarem seus conhecimentos. Djakson avalia: “É algo muito rico para mim. Essa vivência me permite pensar a educação de um ponto de vista diferente, não tão tradicional. Acredito que vivo momentos de grande relevância em minha formação pessoal que contribuirão para minha formação profissional”, afirma um dos responsáveis pela oficina de RAP.
          Fábio endossa esse pensamento e vai além ao afirmar que embora esteja cursando Ciências Sociais, essa experiência permite que se identifique muito mais como arte-educador do que como um professor em sala de aula. “Acho que essa quebra da formalização, algo que me agrada muito, é uma alternativa para ajudar essa juventude, porque permite, de maneira mais ampla, um trabalho coletivo. Mostra que eles podem assimilar conhecimento em qualquer lugar. Eles estão na rua ouvindo RAP e ao mesmo tempo absorvendo mensagens, adotando novos comportamentos e ampliando sua consciência social”, acredita. O educando Sílvio diz que quer aproveitar as oficinas para musicar, com a ajuda dos alunos da Unicamp, composições de sua autoria que falam de preconceito. Mariana e João Vítor acreditam que as oficinas podem ajudar nas aulas de português e literatura. Rimas, versos e métricas já não são termos desconhecidos. Guilherme vê na prática de malabares mais que um aprendizado, mas algo que permite uma socialização que vai refletir num melhor desenvolvimento dessa criança não apenas nas atividades inerentes à sala de aula, mas, principalmente, em sua formação pessoal, conforme avalia a educanda Rebeca: “Esse tipo de aprendizado, de convivência e de respeito com os colegas, a gente leva não só para a casa e para escola, mas também para a rua”.  

Os alunos Fábio dos Santos (ao violão) e Djakson Gonçalves (à direita) durante a oficina de RAP:

retratar a realidade da população com música e poesia
 


          A breve atuação de Fábio nesse programa foi suficiente para que ele vislumbrasse na experiência a oportunidade de alçar um voo mais alto: iniciar formatação de projeto de mestrado. “Estou documentando tudo que está acontecendo nas oficinas. Com base nos conhecimentos obtidos na disciplina Metodologia de Pesquisa, estou aprendendo a estruturar minha pesquisa, perceber as inquietações e interesses. Já estou fazendo meu trabalho de campo e quando eu finalizar a graduação, estarei preparado para participar do processo seletivo para o mestrado. Pretendo ter meu diário de campo nas mãos para poder terminar a pós-graduação em menos tempo. É uma espécie de um ensaio etnográfico em que anoto minúcias, todos os dias, para realizar minha reflexão”, vislumbra. “O sonho de Fábio é a maior mostra que o programa “Virando Mestre” está atingindo seus objetivos”, afirma Marcelo Rocco. “É uma maneira de estimular o estudante ao exercício da docência, pois sua missão é estruturar, planificar um saber a ser compartilhado e construído para e com o outro. Essa experimentação provoca repercussões várias, podendo levá-lo ao mundo da pesquisa ou até mesmo da educação social, mas imaginemos que ele não percorra nenhum destes caminhos, ainda assim ele terá tido uma experiência que certamente contribui na sua formação como indivíduo”, afirma. Esse programa terá continuidade no próximo ano com novos alunos de graduação da Unicamp e novas entidades e instituições.  

 


Notícias anteriores